Lucas Scárdua

troquei o Deezer pelo Spotify. mas por quê?

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Eu me viciei em música.

Confesso que, quando criança, não gostava muito, pasme. Mas as que eu gostava, eram sempre agitadas, rápidas. Na adolescência descobri o rock, algo bem normal pra essa fase. Depois de um tempo fechado no subgênero “rock cristão” (nada contra, aliás) eu me abri para outras bandas, outras sonoridades. Mais recentemente, tenho descoberto outros artistas, fugindo um pouco da cena do metal pesado e aderindo mais ao conceito de música boa de verdade. Não só pelo barulho, mas pelo conteúdo.

Nas minhas playlists, rola de Oficina G3 a Beatles, de Metallica a Linkin Park, da obscura Heroic (uma das últimas descobertas, aliás) ao reggae de Dominic Balli.

E sempre fui fanático por organização. Para cada artista que começava a escutar, fazia questão de baixar cada álbum, cada música, organizar por datas, com capas e tudo, bem direitinho. Perfeito.

Mas ninguém aguenta mais ficar baixando música. Procurar um link seguro nessa internet da vida, e no meu caso, extrair para uma pasta, acertar as metatags, colocar a capa pelo Windows Media Player, depois passar só as favoritas para o celular e qualquer outro dispositivo… tudo sem backup.

A maravilha do streaming faz tudo isso. Não tem como não se apaixonar.

Eu comecei a me aventurar no streaming de música pelo Deezer. Uma dessas bandas cristãs que eu curto, o Katsbarnea, ia lançar um álbum somente por lá, ainda em 2013. Lembro que era bem diferente do que está hoje. No dia do lançamento, fiz minha conta e consegui gravar o áudio do meu computador, para justamente ter aquelas músicas na minha biblioteca.

Só uns 3 anos depois é que voltei a fazer login no Deezer. Queria ouvir uma música que não tinha baixado. Lá tinha tudo.

Ia usando esporadicamente, sempre ouvindo esses artistas que, para mim, não compensava baixar os mais de 10 álbuns, sendo que só me interessava uma ou outra música. E me serviu bem por um bom tempo.

Até que eu lembrei do Spotify.

Sem dúvida, é o app do momento. O que todo mundo usa, que todos comentam. E eu estava meio que de fora.

Não que eu me sentisse excluído de alguma forma por isso. Pelo contrário, por muito tempo não vi a necessidade de usar. Estava muito bem com minhas músicas baixadas. Mas não custa nada testar, não é mesmo?

Instalei o Spotify primeiro no meu pc. E depois de uns 3 ou 4 dias de uso, disse adeus ao Deezer.

O motivo?

Cara, que aplicativo lindo.

De cara, você já vê inúmeras recomendações e playlists. Uma infinidade de músicas para você só dar play e curtir, sem parar. Os designers souberam trabalhar muito bem a arquitetura da informação no app, deixando as recomendações, amigos e artistas bem separado e acessível. Fora as cores: as tonalidades de preto e verde que escolheram deixam o app confortável para a visão. Junto à navegabilidade, faz com que passemos cada vez mais tempo explorando a biblioteca.

É viciante, e quase que recompensador, encontrar uma música nova através das recomendações do algoritmo deles.

No começo, eu ouvia a versão gratuita, aquela com anúncios. Mas confesso que, pelo menos no app para desktop, não me incomodava nem um pouco. Ainda conseguia ouvir minhas músicas do jeito que eu prefiro: costumo escolher um álbum específico de um artista, e escutar do início ao fim. Peculiar, raro, mas old-school é sempre melhor.

Só no aplicativo que isso não acontecia. Não dava pra escutar desse jeito, só no aleatório geral. Ou seja, ainda precisava baixar e passar minhas músicas para meu smartphone.

Uma facilidade incrível de um lado, e uma forma quase ultrapassada do outro.

Isso foi me incomodando de pouco a pouco. Até que decidi assinar a versão paga, sem anúncios, que libera os álbuns para streaming direto em qualquer lugar, o download para ouvir offline (quando se mora no interior, isso é essencial) e a sincronização entre vários dispositivos — aquele banda que acabou há 10 anos e só tem um álbum que você não encontra em lugar nenhum, então, pode adicionar da sua biblioteca pessoal para ouvir no nosso app verdinho.

Simplesmente genial. Tudo que um viciado em música e organização precisava.

Tá, quase tudo.

O Spotify ainda tem alguns probleminhas, na minha humilde opinião — ele é muito voltado a playlists e descoberta de música, o que tira um pouco o foco daquelas que a gente sempre gosta de ouvir. Com isso, mesmo que eu adicione cada álbum de cada artista na minha página de Favoritos, tudo fica mostrado de cara, sem separação, sabe, sem as pastas para cada um.

Uma coisa pequena, que deu um certo trabalho para resolver, mas isso é papo para outra hora.

Sem fazer jabá nem nada, não pretendo largar o Spotify nem tão cedo. Compensa pagar o Premium. Dá pra dividir com quem mora com você. Dá pra ouvir onde quiser, quando quiser.

Penso que o streaming é uma tecnologia que veio para ficar, certamente. Seja de música, de filmes, ou de jogos. A gente já está e vai estar cada vez mais conectado, full online, e tudo que atrapalhar essa conexão vai ser descartado. Não tem volta. Perder tempo movendo cada música para seu cartão de memória? Não mais.

Se Deus quiser, nunca mais.

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