Lucas Scárdua

eu sempre quis escrever

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Eu sempre quis escrever.

Comecei como leitor. Aos 7 anos, descobri Harry Potter, e um mundo novo, repleto de palavras e histórias inimagináveis, se abriu para mim. Mesmo que não houvessem figuras naquele livro, como minha avó bem fez questão de salientar na época, as letras foram suficientes para me levar para longe, bem longe: da casa dos Dursley para Hogwarts, e de volta outra vez.

Daí, precoce criança que era, não parei mais de ler. Terminei a saga do menino-que-sobreviveu, para depois embarcar na do filho de Poseidon, passando por um credo de assassinos, zumbis cambaleantes, horrores que vinham do mar, vampiros, dinossauros, ninjas, dramas e aventuras, reais ou não, seja lá o que mais aparecesse na minha frente com uma capa e uma lombada.

Foram ótimas aventuras ao lado de cada um deles.

Acho que, com esse entusiasmo todo e o descoberto prazer pela leitura, ainda demorou um pouco para um certo desejo despertar. Desejo que hoje eu vejo como necessidade.

A necessidade de escrever, de colocar para fora. De dizer algo que está entalado, de construir universos, conhecer novos personagens. De contar histórias.

Eu decidi escrever um livro.

Lá pelos meus 10 ou 11, escrevi sobre um tal de Luc’s Anther, um espião adolescente que se metia em altas confusões. Escrevi à mão, em um pequeno caderno de páginas contadas. Desenhei uma capa (outro dos meus desejos era saber desenhar bem), colei por cima e lá estava, pronto, o único exemplar do meu primeiro livro. Guardo até hoje com carinho.

Com a adolescência e o começo da juventude, muita coisa aconteceu. Fui morar e estudar fora aos 13 anos (papo pra outro dia), comecei uma faculdade aos 16. Por algum tempo, a vontade de escrever ficava de lado, mas depois voltava com tudo.

Novas histórias floresciam dentro de mim, mas lá ficavam.

Eu sempre começava, mas nunca terminava. Parava no meio. Não era bloqueio criativo, nem preguiça: eu simplesmente desanimava.

Até que, no belo verão de 2015, resolvi tentar de novo. Olhando para a praia, imaginei caravelas chegando a um Brasil inexplorado, e então veio o conceito de A Expedição. Demorou mais alguns meses, mas com este eu terminei a história. E que orgulho de mais um livro escrito e não publicado.

Mas estava pronto, e segunda minha única leitora-beta, era boa literatura. Foi o empurrão que faltava para tentar de novo depois disso e, quem sabe, se tudo desse muito certo… ser escritor.

Mas, de novo, parava no meio dos histórias. Percebi que elas sempre eram duplicatas dos filmes que eu via, dos livros que eu lia. Descobri a verdadeira dificuldade: ser original.

Não vou mentir: foi um baque. E aí sim veio o tal do bloqueio criativo. Mas a vontade de escrever, de alguma forma, continuava lá.

Em dias ruins, abria o notebook e desabafava com as letras. Mas eram textos meus, que sempre se perdiam no meio de um zilhão de outros arquivos. Então resolvi fazer a única que minha geração consegue fazer sem ser julgado: criar um blog.

Nasceu o Quatro Lados, onde eu falo exclusivamente de cultura pop com alguns amigos em textos e podcasts. Confesso que o projeto tomou uma dimensão diferente do esperado — mais “profissional”. E como tudo o que faço em meu trabalho, os posts no Quatro Lados também sofrem de cuidado e perfeccionismo ao extremo. Talvez por isso escrevo menos lá do que gostaria.

Já conhecia o Medium há algum tempo. Então, por quê não criar uma conta, e usá-la? E cá estou eu, terminando meu primeiro post em um blog pessoal, mas pessoal mesmo.

Eu sei lá qual vai ser o teor desses textos. Este primeiro conta um pouco da minha história, mas também pode ser uma inspiração para outros como eu. Acho que vai ter de tudo um pouco daqui pra frente: vou falar sobre filmes, música, cotidiano, minhas experiências, e por aí vai. E livros e escrita, com certeza.

Não vou dar datas nem fazer calendário. Este não é um outro projeto profissional, são apenas textos. Textos que eu quero poder guardar e, se interessar a alguém, que sejam lidos. São palavras que eu escrevi pois me fazem bem, me limpam por dentro. Me dão mais ânsia de escrever, e isso é uma sensação incrível.

Escrever talvez seja algo divino mesmo.

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